Segunda-feira, Novembro 24, 2008

O infinito...




O deserto inominável

O deserto é um silêncio depois do mar,
É o êxtase da luz sobre o coração da areia.
Vai-se e volta-se e nada se esquece.
Tudo se oculta para depois se dar a ver
No ponto em que os ventos se cruzam
E as almas gritam no fundo dos poços.
Os cestos sobem e descem prometendo água,
Uma frescura que derrete a febre.
Não são as tâmaras que adoçam a boca,
É a beleza das mulheres dissimulando
O desejo como um pecado sob a escuridão dos véus.
As serpentes assobiam ou cantam
Conforme o veneno que lhes molda o sangue.
Enroscam-se sobre as pedras
como fragmentos de lua à espera da manhã.
E a sombra alonga-se nas dunas
Ondulando rente às palmeiras
Como a última cobra do medo das crianças.
Não há ruído maior que este silêncio
Que se serve com tâmaras e com chá
Na mesa rasteira, sobre a terra molhada.
É no que não se nomeia que está o infinito.

José Jorge Letria, in "Os Mares Interiores de Lisboa"

Etiquetas: ,

3 Comments:

Blogger Maria said...

E eu
que gosto do deserto
quase tanto como do mar
digo que
O deserto é um enorme mar de silêncio...

Beijo (no que não nomeio!)

6:47 PM  
Blogger tolo said...

ola...
logo hoje que termino um trabalho sobre o deserto...
há coisas que se unem mesmo na fuga para o deserto...

beijo,tolo

12:51 PM  
Blogger Claudia said...

Maria

Já não posso dizer o mesmo!

Beijo meu

..............................

Tolo

As coincidências servem para algo!!

Beijo

6:18 PM  

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

online